sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida: festa estranha, gente esquisita, mas é legal

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Envolto em expectativas, boatos e, após o lançamento, críticas e comentários de pessoas decepcionadas ( a começar pelo próprio Jared Leto que interpretou o Coringa), Esquadrão Suicida (Suicide Squad) teve uma arrecadação estrondosa nas bilheterias, mais devido a força da marca DC Comics, do que, necessariamente, pela promessa de diversão. Porém, ao assistir com calma, não vimos tantos erros assim, talvez, uma falta de fidelidade à proposta inicial, que era ser um filme sombrio e violento.
Esteticamente, o filme é agradável. O filtro sombrio foi usado de forma inteligente, sem destruir o maravilhoso trabalho de cores, e ajudando a não deixar os personagens caricatos demais. Nestes, a caracterização também foi excelente, mesmo com muitas críticas sobre o visual de playboy do Coringa, ou o de piriguete da Arlequina (Margot Robbie), que, contextualizados, estavam de acordo com seus perfis na trama. Convenhamos, mesmo trazendo uma carga negativa do histórico da personagem, que juntamente com uma postura avessa ao apregoado pelo feminismo e politicamente correto atuais, Arlequina consegue cativar, com ares de pin up rebelde; angariou um séquito de fãs, entre eles, muitas garotas que passaram a observá-la como modelo de figurino ou de cosplay (uma grande rede de lojas de roupas vende as famosas camisetas da personagem a preços populares, que esgotam rapidamente, sendo adquiridas por fãs de cultura pop ou não). A julgar pela história original, a dos quadrinhos, o relacionamento entre os dois personagens já merecia um filme, talvez por isso acabaram roubando um pouco a cena, que também é repleta de outros bons personagens (sem spoilers, há umas coisas bem legais).

Algo que poderia ser um bom ponto positivo, se transformou, através de um estranho trabalho de edição, em um verdadeiro defeito: a trilha sonora, composta de excelentes músicas de sucesso, a maioria dos anos 70 e 80, foi mal aproveitada através de uma edição falha, que, a cada cena, utiliza uma das músicas, sem apelo emocional, sem necessidade de tanta trilha exposta em sequência, sem um tempo para apreciação ou conexão emocional. As músicas não são apoio para a narrativa, tampouco ajudam a criar uma conexão empática com os personagens e cenas. Não marcam e em sua maioria são desnecessárias. Algumas talvez nem devessem estar no filme, como "Spirit in the Sky", de Norman Greenbaum, que faz parte da trilha sonora de Guardiões da Galaxia (filme da rival Marvel, que acabou se tornando um espelho para o Esquadrão Suicida, e constante alvo de comparação). "Fortunate Son", de Creedence Clearwater Revival, estava em "Duro de Matar 4.0", e "Bohemian Rhapsody" do Queen, que acabou se tornando a música carro chefe do filme, presente nos trailers e divulgações, ainda persiste na memória como a principal marca de "Quanto Mais Idiota Melhor", em uma cena realmente divertida. "House of the Rising Sun", por The Animals, é uma música que sempre esteve presente na cultura americana, tem filme homônimo, e está na temporada de 2013 do seriado American Horror Story... As "coincidências" não estão só nos filmes e séries, "Seven Nation Army", por The White Stripes, está na trilha do game Battlefield 1. Como praticamente todas as músicas lembram outra coisa, e na ausência de cenas impactantes com as mesmas, fica difícil gerar alguma associação positiva da trilha com o filme... 

O roteiro, tem suas inconsitências, como a falta de uma motivação forte para a atuação da equipe, e sua consequente atitude comedida, não sendo os kamikases que o nome "suicida" sugere. Porém ainda assim, não é o principal problema: a edição erroneamente veloz, que apenas "jogou" as cenas sucessivamente, sem tempo para empatia entre público e personagens, deixou mais evidente ainda os cortes anunciados pela imprensa, que tiraram o propósito de personagens, como o avulso Coringa, que acabou tendo reveladas mais fraquezas do que forças durante o filme. 
Ponto positivo para a direção das cenas, que ficaram muito bem feitas, com gratas surpresas e momentos realmente bonitos. Mesmo um tanto prejudicadas pela edição, fazem com que o filme seja melhor do que as críticas que recebeu. A causa da hostilidade pode ser o fato de que, para os fãs de quadrinhos mais fiéis, Esquadrão Suicida tenha ficado um pouco longe do esperado, além da eterna comparação com os filmes da Marvel, o que não é justo nem saudável. Mas para o público jovem e não nerd, o filme diverte sim, e funciona como uma excelente divulgação dos personagens, que nunca tiveram o merecido destaque nas produções audiovisuais da DC Comics.  

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