terça-feira, 29 de março de 2016

Assisti: Zootopia [com spoilers]

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Lançado no Brasil em 17 de março, Zootopia (dirigido por Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush) teve ampla divulgação durante a CCXP 2015, com direito a painel temático, presença do dublador Rodrigo Lombardi (que interpretou a raposa Nick Wilde), e Ricardo Boechat, que anunciou sua participação como o âncora de telejornal Boi Chá. O filme também conta com a dublagem da apresentadora Monica Iozzi no papel principal (a coelha Judy Hopps). Mas os famosos não são o principal chamariz do filme.

O importante em uma cidade são os moradores


No Brasil, o filme ganhou o subtítulo "Essa Cidade é o Bicho", e toda a sua divulgação baseou-se nas maravilhas de "uma cidade que tem acessibilidade perfeita para as mais diferentes espécies, que convivem pacificamente, apesar de suas diferenças de raça e estrutura física. Porém o filme vai muito além: a heroína Judy Hopps encanta com sua simplicidade e doçura, ao mesmo tempo que é valente e sagaz. Por ser uma coelha, não possui muita força física para o difícil cargo que conquistou com esforço, mas durante seu treinamento aprendeu a usar seus pontos positivos como vantagem. Quando se depara com o mistério de resolução mais complicada do Departamento de Polícia de Zootopia, seus atributos realmente fazem a diferença na investigação.

Um ponto interessante, é que todas as boas ações de Judy lhe trazem algum resultado positivo futuro, como se o destino conspirasse em seu favor de acordo com o bem que praticou, ajudando-a na resolução do caso. Até mesmo quando já havia desistido de todas as suas tentativas, o conhecimento de sua família sobre a vida no campo é o que lhe vale para a resolução do problema. A forma como ela agiu ante o parceiro ocasional, Nick Wilde, também foi notável: mesmo sendo um predador natural dos coelhos, e uma criatura de reputação duvidosa, Judy não teve nenhum preconceito em formar uma equipe com ele, o que resultou em uma forte e fiel amizade para toda a vida. 


O roteiro também traz duras críticas à sociedade atual, e o papel de diferentes setores institucionais: a burocracia, representada pelos atendentes preguiças do Departamento de Trânsito (que causaram muitos risos na sala de cinema em que estávamos); a função da imprensa em situações de emergência e a necessidade de preparo dos representantes de instituições ao conceder entrevistas (as informações publicadas nos jornais de Zootopia foram de certa forma manipuladas de acordo com os interesses da Vice Prefeita), o que gerou uma onda de ódio entre predadores e presas; a briga de poder nos bastidores da política, com medidas controversas para "abafar" possíveis situações de risco.


Foi muito bem trabalhada na trama a tecnologia e suas ferramentas para a resolução de problemas, tanto no momento em que Judy e seu parceiro Nick se utilizam das câmeras de segurança da cidade para seguir a rota usada por criminosos, quanto em simples detalhes, como o iPhone guardado em um plástico vedado no momento em que eles entram na água. Gravações de áudio e video foram recursos fundamentais para as investigações. Porém em alguns momentos o telefone celular também cria problemas... 

Entre os "famosos", a ponta de Ricardo Boechat como o âncora Boi Chá foi minúscula, mas sua narração inconfundível deu mais veracidade ao momento. Maravilhosa a participação da cantora Shakira como Gazelle, a popstar local. Sua música foi a cereja de um delicioso bolo, um filme para crianças e adultos.   

A principal lição que Zootopia deixa, é a de que é possível fazer cinema Censura Livre com qualidade, roteiro forte e diversão politicamente correta, sem parecer piegas. A frase de Judy "você pode ser o que quiser", também se adequa ao filme: é possível atribuir à ele quantas interpretações quiser: divertido, emocionante ou questionador.  

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