quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Masterchef Junior e a repercussão negativa na Internet

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A realização de uma edição infantil do reality show culinário Masterchef não é novidade para os telespectadores de canais por assinatura. Porém, com a veiculação da versão brasileira na tv aberta, gerou-se uma terrível espécie de repercussão negativa: os comentários agressivos nas redes sociais, principalmente o Twitter. Seja pela beleza de uma menina e um menino que despertaram desejos pedófilos, ou o que foi chamado de "criança viada", o fato é que o bullyng sofrido pelos participantes mirins não é diferente do que acontece a adultos, com uma diferença: trata-se de crianças, em fase de formação psicológica, o que pode causar muitos danos futuros a imagem destes, tanto perante si mesmos, quanto perante o mundo.

Crianças, mesmo que muitos sejam contra essa teoria, demonstram habilidades em determinadas tarefas desde muito cedo. Tenho memórias de escrever textos e ilustrá-los com uns 7 anos de idade. Tenho certeza de que se tivesse tido minhas capacidades valorizadas através da participação em algum grande projeto, seria para mim motivo de maior dedicação e alegria. Portanto, não considero abusiva a inclusão dos pequenos em um programa como este. Até porque, se crianças podem ser excelentes como atores e atrizes, porque teriam problemas em ser eles mesmos? 

A maior dificuldade percebida, até o momento, é justamente o meio externo, a sociedade virtual: os pequenos (e suas famílias) tiveram coragem em se expôr, ante ao júri popular de mau gosto que se tornou a opinião pública: condena-se quem não é considerado esteticamente aceitável, vê-se sensualidade onde não há, cria-se um padrão de imagem, de conduta. Humilha-se e xinga-se, seja quem for, sem pensar que a imagem projetada na tela do televisor é de uma pessoa real, que tem sentimentos e que poderá ofender-se, magoar-se, ou mesmo revidar, processar e investigar quem são os culpados pelo assédio moral (e em alguns casos sexual também). 

Penso que é urgente a necessidade de rever os conceitos de educação. Esta, enquanto conduta ante as outras pessoas, ao mundo que rodeia. Algumas gerações aprenderam a conviver com o bullyng, a "rir junto" das humilhações ao próximo, a ver como piadas descrições negativas sobre o corpo e comportamento alheio. A achar engraçado e compartilhar as imagens do tombo, da videocassetada, sem pensar que aquele é um registro da dor e da vergonha de alguém. 

As crianças do programa "nada fizeram para merecer os comentários maldosos", assim como muitos adultos, de diversos grupos sociais que sofrem ofensas diárias também não. A cultura do "apontar o dedo para o outro e rir do defeito alheio" é que tem raízes tão fortes que nem julga mais o que é engraçado, ofensivo ou agressivo. E gera um bizarro orgulho de ser inconveniente. Porque cria atenção negativa para os supostos defeitos, seja do apontado ou do que aponta, ao invés de termos foco no excelente desempenho destas crianças, merecedoras de toda a admiração: em um mundo tão cheio de fast food e comidas prontas a venda, eles conseguem cozinhar melhor do que muitos adultos. A eles, todo o mérito e toda a sorte do mundo. E que a imaturidade não seja rotulada como infantilidade, pois as crianças do presente estão provando que conseguem ser mais maduras que muitos adultos mal educados. 

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