quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Assisti - Vai Que Cola, o Filme

Posted by   on

Baseado na conhecida sitcom produzida pelo canal de TV por assinatura Multishow, a versão filme de Vai Que Cola chega aos cinemas de todo o país, o que causou expectativas positivas dos fãs, devido ao fato do seriado ser realmente divertido. Com um excelente time de humoristas e atores, a obra tinha tudo para ser garantia de muitos risos e diversão, em uma comédia bem brasileira. Mas pelo menos para mim (e para a platéia da sessão em que eu assisti) não foi. 

A trama, tanto no original da TV quanto do filme, se passa no Rio de Janeiro, com piadas, gírias e locais de entendimento restrito para quem conhece a cidade. Este fato poderia ser atenuado com um roteiro que deixasse o "ser carioca" em segundo plano, e priorizasse outros elementos fortes na ambientação. Mas os primeiros minutos do filme se resumiram em piadas que reforçavam o preconceito com os bairros periféricos, seu modo de vida e moradores (no caso, o Méier), e supervaloriza o modo de vida dos ditos "ricos" (simbolizado por uma luxuosa cobertura no Leblon, de frente para a praia). Se não bastasse isso, a narrativa se transformou em um desfile de estereótipos se confrontando uns aos outros pela viés do preconceito: as palavras severas do malandro Valdomiro Lacerda, personagem de Paulo Gustavo, ao xingar os amigos da pensão não eram divertidas, e sim vexatórias: A negra, o homossexual, a "loura burra", os pobres, os gordos: nenhum elemento passou batido pela verborragia ríspida disfarçada de piadas. Difícil entender como os atores se submeteram a tais papéis: Cacau Protásio interpretando Terezinha rola na areia da praia e corre causando terremotos sob olhares de repulsa dos banhistas, em cena que soou como uma espécie de versão nacional das comédias de Eddie Murphy, que também era estereotipado. Nada engraçado para quem sofre de obesidade.   

A "periguete" Jéssica de Samanta Schmutz consegue ter uma certa naturalidade, e foi uma das personagens que mais se manteve fiel ao original, apesar de parecer totalmente paralela a trama principal. Ela, juntamente com o Ferdinando de Marcos Majella, foram responsáveis por salvar o filme da decepção total. A Dona Jô (Catarina Abdala), entre todos os moradores da pensão, foi a mais aproveitada na história. Os demais, ficaram todos avulsos, sem conexão, sem função, apenas desfilando seus perfis de personagem no decorrer da maçante história. Paulo Gustavo praticamente levou o filme sozinho, com monólogos e conversas com o público, mas sem explorar totalmente seu potencial, nem como piadista, nem como performer: fez apenas uma interpretação feminina, que não foi das mais divertidas. Um lástima não ter sido melhor aproveitado. 

 Resumindo: no mundo atual, não há mais lugar para o tipo de humor que o filme de Vai Que Cola tenta emplacar: xingamentos, luta de classes, humilhação de grupos sociais não estão mais sendo tolerados na busca pelo politicamente correto. Assisti o filme em um cinema UCI do Shopping Anália Franco em São Paulo - SP, e era possível perceber o público mudo. Poucos risos mesmo. Ninguém chegou a ir embora durante a exibição, como a esperar por algum momento engraçado. Que não chegou.  E assim se foi uma linda chance de produzir um filme divertido e inovador. 

Nenhum comentário:
Escreva comentários

O que você tem a dizer sobre isso??

Estamos no Twitter, é só seguir - http://twitter.com
Receba nossa Newsletter