domingo, 27 de setembro de 2015

Pegar doce no Dia de São Cosme e Damião: tradição ou perigo?

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Quem tem mais de 30 anos e nasceu principalmente na região sudeste, aprendeu a aguardar com expectativa o dia 27/09: A comemoração de São Cosme e São Damião por muitos é considerado um Halloween brasileiro, com crianças correndo pelas ruas em busca dos saquinhos de doces, distribuídos pelos devotos em residências ou veículos. Porém atualmente a tradição se esvai, devido a diversos fatores:


1- Crescimento das Igrejas Evangélicas, que combatem as tradições católicas e cultos afro brasileiros: Sabemos que a distribuição de doces nesta data tem raízes portuguesas na religião católica, e também africanas nos rituais de umbanda, como uma oferenda aos Ibejis, divindades gêmeas; muitos devotos de ambas religiões se utilizam do dia para pagar promessas. O fato é que praticamente todas as Igrejas Evangélicas (e até alguns católicos) condenam o ato. Com a diminuição de fiéis, diminuem as promessas pagas com doces. Aline Vollaro confirma: "moro em condomínio e há muitas crianças, a maioria Evangélicas. Teve um ano que quase meus doces encalharam, mas coloquei tudo no carro e saí pelas ruas para distribuir". 


2- Aumento da violência nas grandes cidades: A cada dia torna-se mais complicado deixar as crianças soltas nas ruas correndo atrás de doces que podem ser utilizados por pedófilos, traficantes de órgãos, de drogas ou de pessoas, sequestradores e ladrões: circulam na web histórias de doces com entorpecentes para estimular o vício, com soníferos para facilitar atos criminosos, ou mesmo usados como barganha para o aliciamento. Por via das dúvidas, é recomendável participar das comemorações em grupos, entre pessoas conhecidas da vizinhança ou meio social. 


3- A crise financeira que assola o país: Com a crise, o "jeitinho brasileiro" se faz valer até na hora de pagar promessas, e muitas pessoas tem preferido produzir alimentos, ou distribuir os doces em menores quantidades, entre familiares. Carmen Lúcia preferiu o bolo aos saquinhos: "como já pago promessa há 10 anos no aniversário da minha filha, optei por fazer um bolo para distribuir entre meus alunos. Não é mais como no nosso tempo de criança, diminuiu muito, mas acho que dá pra pegar umas duas bacias de doces no local onde moro". 

4- A mudança na estrutura das cidades: com um maior número de avenidas movimentadas, prédios e condomínios fechados, é mais raro encontrar ruas e comunidades propícias para a reunião de crianças. Em muitos prédios a comemoração é totalmente inviável, também devido a normas internas. 

5- Preocupação com doenças provenientes do consumo exagerado de açúcar e foco em uma vida saudável: Com o aumento de doenças como diabetes,  intolerância a lactose e uma maior atenção ao consumo de alimentos diet/light, os doces convencionais (e mais baratos) acabam sendo abolidos do consumo diário por alguns pais mais preocupados, diminuindo o interesse de algumas crianças na busca por eles. Adelina Ferreira encontrou uma solução: "incluí a Paçoca Light nos saquinhos este ano. Não tem açúcar". 

Analisando a questão pelo lado cultural e sem fazer julgamentos com relação a doutrinas religiosas, a distribuição de doces no dia de São Cosme e Damião é uma brincadeira sadia, que estimula as crianças a solidariedade e a interação social, e em nada é capaz de "atrair azar ou o mal". Quando realizada de forma segura, causa apenas alegrias aos participantes: “Ouvi e compreendei. Não é aquilo que entra pela boca que mancha o homem, mas aquilo que sai dele. Eis o que mancha o homem.” (Mateus 15,11) 


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