sábado, 30 de maio de 2015

Evocação ao Charlie: jogada de Marketing desperta curiosidade pelo sobrenatural

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Espírito mexicano?? Já vimos isso antes...
A história de um suposto método de evocação de um demônio mexicano se espalhou rapidamente pelas redes sociais nos últimos dias, causando uma onda de medo e de tentativas frustradas de adolescentes se comunicarem com espíritos por todo o mundo. Ao se desenhar uma espécie de gráfico semelhante ao de uma análise SWOT (ferramenta gerencial), substituindo as quatro forças pelas palavras YES/NO, acrescido de dois lápis em cruz e o chamamento verbal ao "Charlie Charlie", o experimento causaria a interferência sobrenatural capaz de predizer o futuro através de perguntas simples (com respostas positivas ou negativas). 
A veracidade do espírito foi rapidamente desmentida por especialistas (afinal, era bem duro de engolir um demônio mexicano chamado "Charlie", nome tão americano), até que foi confirmada a procedência do boato: uma campanha midiática viral para o lançamento de um filme. Assim mais uma vez foi comprovada a eficácia das redes sociais em adotar lendas urbanas modernas, transformando-as em sátiras e coqueluches fugazes. Em poucas horas, Charlie foi de causador de pânico a piada, para logo depois ser convertido em farsa. 

Brincadeiras para comunicação inter mundos são tão antigas quanto as histórias do imaginário popular: Assim como toda escola de Ensino Fundamental e Médio tem sua "loira do banheiro", há de ter sempre um grupo de alunos disposto a evocá-la, seja através do espelho ou de algum vetor. Mas afinal, de onde vem a crença em um "método para conversas com o Além"? 
O "método Charlie" usa a forma comumente vista nos tabuleiros Ouija, que também é o mesmo do Jogo do Copo e afins: o efeito ideomotor, movimentos involuntários e inconscientes provocados pelas pessoas participantes da evocação. Dedos ou mãos se mexendo "sem querer" próximo aos objetos, proporcionariam os toques para as respostas. Até mesmo o ar e a respiração causaria a mobilidade do copo ou lápis, neste caso. 
É o mesmo princípio da radiestesia, utilizada na comunicação por pêndulos (que auxilia até a encontrar reservas de água subterrâneas, petróleo, e objetos perdidos).
Mas, qual seria o elemento determinante para o objeto responder perguntas, acertar nomes ou até conversar com clareza?

Segundo a radiestesia, as "palavras da evocação" estabelecem um acordo entre a mente subconsciente, a mente consciente e o objeto a ser movimentado. Como uma espécie de hipnose. A cada pergunta, o corpo do evocador dispararia o movimento de acordo com a resposta mais apropriada pelo seu inconsciente. Aí, o que explicaria os jovens que se sentem "possuídos" durante estes experimentos? Nesse caso, entram duas possibilidades: 1- a concentração em meio a tensão nervosa e a excitação de estar participando de algo considerado assustador poderia causar reações nervosas dentro do efeito hipnótico a que a pessoa está submetida. 2- Espiritualistas acreditam que o estado de concentração seria propício para a atração de espíritos, que pela natureza da evocação ser mundana seriam do tipo brincalhões ou pouco evoluídos (afinal, a maioria dos participantes querem apenas respostas a perguntas simples da vida cotidiana). Estes espíritos seriam os responsáveis pelos estranhos fenômenos presenciados no Amazonas (segundo reportagem do G1, no link): Pessoas falando coisas aparentemente sem sentido, gritando, tendo espasmos, etc, seriam formas de incorporação espiritual, ou "encosto". Seguindo a "teoria do encosto", a faixa vibratória dos envolvidos (ou seja, seu nível de pensamentos positivos ou negativos no momento da brincadeira) influenciaria o tipo de comunicação (espíritos raivosos que causam as manifestações, ou as respostas esperadas nos movimentos do vetor).
Vale lembrar que os fenômenos como o acontecido no Amazonas geralmente são considerados pelos médicos como histeria coletiva, e necessitam sim de atendimento hospitalar. Um caso semelhante aconteceu em Cametá - PA no final de 2014, veja a matéria completa aqui. 
Ataque nervoso ou intervenção espiritual, é certo que brincadeiras com o desconhecido trazem quase sempre episódios negativos, sejam em forma de manifestações traumáticas, ou mesmo de trotes armados com o objetivo de assustar alguns participantes. Importante lembrar que o medo nasce da ignorância e da incerteza, e se o assunto gera curiosidade, deveria ser alvo de estudos também, antes mesmo da experimentação empírica. 
Qual o conceito de normalidade?

Imagens: Google / Twitter do Thiago Viana

2 comentários:
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  1. Uma coisa interessante sobre a idéia de evocação, que inclusive engloba a tábua ouija, é que acaba sendo uma invocação amadora, sem proteção mágica preliminar, como o círculo de proteção ou contenção (se vc acredita nisso, mas que pode ser apenas um ferramenta psicológica), que os místicos mais sérios usam em rituais, o que seria uma bela desculpa pra tantos adolescentes acharem que estão possuídos, já que o círculo significa um preparo maior pra uma evocação

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  2. A tábua ouija, a brincadeira do copo, algumas outras coisas que vi na escola, todas são evocações vulgares, que sem círculo de proteção ou contenção, e sem as orações certas, atraem qualquer forma de entidade (se vc acreditar nisso) rs

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