sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Amor a Vida: Beijo gay ... mais do mesmo, acrescido do boom das redes sociais??

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A dinâmica das novelas globais na minha opinião é a mesma, pelo menos é o que percebo desde que me entendo por gente: uma trama inicia com tema recorrente, a família feliz. A partir daí, começam os barracos, as tramas envolvendo amores estranhos, algum assunto polêmico para dar uma apimentada, campanhas militando por alguma causa ou doença ou algo deturpado sobre a cultura de algum país distante que dificilmente será visitado pela maioria dos brasileiros (que nunca confirmarão como são as coisas no local pelo viés da vida real)... Em meio a essa constante, acrescente comportamentos estereotipados considerados fora dos costumes comuns: o "gótico", a "periguete", a "doida do bairro"... é, olhando por esse ângulo, não deve ser difícil ser autor de novela da Globo.
Claro que com o tempo, tudo se torna mais do mesmo, e tirando as roupas e visuais da moda, tudo parece muito igual: procura-se então ousar, com situações mais extremas, mais incomuns. Surgiu então, Félix, o suposto primeiro vilão gay (suposto porque a Globo na minha opinião já teve muito vilão gay).
Eu não saberia afirmar se foi o talento do ator que interpreta a tal "bicha má", os bordões fáceis que declamava em suas cenas, ou se realmente o carisma de uma personalidade homossexual (e sim, eles são muito carismáticos) os fatores que ajudaram a alavancar a audiência de uma novela, considerada por muitos como ruim e cheia de falhas na trama. Porém, um fator que aparenta ter sido determinante para comprovar a popularidade do anti herói e ao mesmo tempo divulgá-lo, foram as redes sociais, em especial Twitter e Facebook, que disseminaram informações, lances da trama, diálogos, fotos, montagens e tudo o mais que envolvesse o personagem e seu universo alegre: Felix foi de vilão a "mocinha sofredora", finalizando com uma redenção, a medida que sua aceitação aumentava nas mídias sociais. Encerrou seu período "no ar" com mais de dois milhões e seiscentos mil fãs, só em uma de suas fan pages.
Se é herói de conto de fadas, tem que ter final feliz, que só é legitimado por um beijo: atendendo aos inúmeros pedidos (só uma das imagens como a acima teve mais de seis mil compartilhamentos na tal fan page). Mas, o que vimos de novo?
Acredito ser comum beijos entre gays (até porque "beijo gay" não existe, não há uma forma gay de se beijar, todos os beijos na boca são iguais). Gays da vida real se beijam nas ruas, praças, onde o arroubo afetivo permite. E nas artes, também são constantes: na própria dramaturgia, tivemos Luciana Vendramini e Gisele Tigre, em Amor e Revolução (SBT); em 2010, Rafinha Bastos e Marco Luque se beijaram ao vivo no CQC (Band, foto abaixo); nos quadrinhos Marvel, cerimônia de casamento entre X-Men, Wolverine e Hércules em uma realidade alternativa. DC Comix polemizou com o incompreendido Lanterna Verde homossexual. E nos games, Carrol e Fabianski comemoraram torridamente um gol, no Fifa 12. Não acredito que o público da novela não esteja a par destas informações, até porque muitas delas foram veiculadas na programação da emissora...
Como se vê, foi apenas mais um final de novela, com mais um beijo entre um casal protagonista. Algo rotineiro para um final de novela. Difícil mesmo é ser casal na vida real, e manter o amor do "eles foram felizes para sempre". E esse é um desafio para todos os pares românticos, gays ou héteros...  

PS: Não citei as supostas críticas à iniciativa da novela de mostrar o beijo, porque, sinceramente, até o momento só li elogios e incentivos. [editado após comentários] 

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