segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Amil lança campanha sobre obesidade infantil com mensagem de crítica aos videogames

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Foi lançado neste domingo (26), o Movimento Saúde 360, campanha da empresa de planos de saúde Amil, um conjunto de medidas visando uma conscientização sobre a obesidade infantil, seus riscos e prevenção. Com ações voltadas aos pais, escolas, profissionais e instituições médicas, a iniciativa tem um grande valor, visto que a obesidade em crianças realmente é um problema global, e poderá afetar o futuro da sociedade:  crianças obesas desenvolvem problemas de saúde de curto e longo prazo, alguns com consequências para toda a vida.
Porém o grande erro da campanha midiática para divulgação do movimento, foi o texto veiculado no anúncio em jornal impresso de grande circulação, em página inteira: a mensagem é clara: "Hoje uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso. Parece que a nossa garotada está comendo de forma errada. E também se mexendo menos. Afinal, com os videogames e as redes sociais a diversão que antes era na rua ou no playground foi para o sofá. Foi assim que a epidemia mundial de obesidade infantil chegou ao nosso país. Roubando não apenas a plenitude da infância, mas também a chance das crianças se tornarem adultos saudáveis."
O texto pareceu ofensivo a alguns dos usuários de jogos eletrônicos, pois claramente associa os videogames a uma diversão sedentária, "ladra da plenitude da infância, de um futuro com saúde". Fato oriundo de um pensamento um tanto retrógrado, de um tempo onde não existiam controles com sensor de movimento, como os do Nintendo Wii, Playstation Move ou Kinect, nem acessórios como Wii Balance Board, ou jogos como Dance Dance Revolution, Wii Sports e tantos outros, que se utilizam da tecnologia para desenvolver a habilidade motora em crianças, jovens e até idosos, tendo aplicabilidade tanto na própria área médica, quanto na educacional, como eu mesma comprovo em meu artigo acadêmico sobre jogos eletrônicos em sala de aula como feramentas de desenvolvimento de competências e habilidades... (linkarei o artigo na íntegra quando encontrar um local para postar.) 
Em uma leitura rápida e sem maior conhecimento do movimento da Amil ou do uso das tecnologias para habilidade motora, o estranho foco do texto no videogame como possível responsável pelo problema  pode induzir o leitor a ter uma ideia equivocada sobre as reais causas da obesidade infantil: a falta de educação alimentar, disciplina e vida regrada, com incentivo à atividade física; Cria a necessidade de uma leitura mais aprofundada no assunto (inclusive no site do Movimento) para gerar uma opinião mais imparcial sobre o tema. Mas, será que as pessoas mais críticas e preconceituosas com relação a videogames não poderiam se apoiar na abordagem superficial utilizada nesta propaganda para depreciar a imagem da diversão eletrônica, em uma generalização dos games como vilão do desenvolvimento infantil??

Uma dica retirada do site da Amil: segundo a Academia Americana de Pediatria, uma criança não deve passar mais de duas horas sentada na frente da TV, videogame ou computador. 

Atualizado: A Amil, através de sua assessoria, entrou em contato em 13/05/2014 com The Blog, e afirma ter revisado e retirado as campanhas com frases sobre videogame. Também ressaltam que em nenhum momento tiveram o objetivo de criar polêmica com os fã de videogame, ou afirmar que os jogos fazem mal à saúde.  

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