segunda-feira, 4 de junho de 2012

Entrevista com Orlando Peixoto por trás das câmeras

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Quando me ligaram para realizar uma reportagem com o Orlando Peixoto, dirigente do Cametá Sport Club que ultimamente esteve envolvido em polêmicas, uma colega que estava perto de mim no momento e ouviu parte da ligação retrucou imediatamente: "Tu é doida se fôr fazer, esse homem tá sem moral, se tu aparece do lado dele, tua moral afunda também". Não a respondi, e apenas fui fazer o meu trabalho, indo até o local combinado. No que, quando cheguei, encontrei o "Peixoto" um tanto mais magro e abatido, sentado diante de uma mesa, tendo ao lado os troféus conquistados em sua gestão, inúmeros documentos, borderôs, comprovantes de pagamento, e um conjunto de páginas com uma espécie de demonstrativo financeiro digitado. Analisei o material, e acreditei, assim como nas palavras de meu então pré entrevistado, se tratar de argumentos fortes. Ligamos a câmera e iniciamos a sabatina, que, além de um tom emocional, também sofria interrupções frequentes, seja por um acesso de tosse do entrevistado, ou por algum dirigente do Cametá S.C. que chegava ao local.  
Longe de realizar aqui um juízo de razão, apenas quero salientar a dimensão da coisa: através da vitória no Campeonato Paraense, o Cametá Sport Club se tornou conhecido em todo o país, com inúmeras reportagens a nível nacional e visibilidade até internacional. Ao mesmo tempo que o mundo recebia com surpresa a notícia de um time de futebol do interior que venceu com muita garra um campeonato regional, contrariando as expectativas de que é possível formar uma excelente equipe com pouco dinheiro e patrocínio, também vivenciamos perplexos cenas lamentáveis no dia 15 de maio, quando do retorno do time à Cidade natal: durante uma comemoração no Estádio, um tumulto foi iniciado, com tentativa de linchamento ao Presidente do time. Correria pelas ruas, escolta no Quartel de Polícia e muitos comentários negativos nas redes sociais e na imprensa nacional transformavam a festa em uma verdadeira catástrofe. De herói do Parazão, Peixoto se viu resumido a um ladrão covarde, e enfrentou durante duas semanas o pré julgamento de uma população que ao mesmo tempo que recebia as piores informações possíveis sobre o motivo da vaia (a desistência da participãção na Série D), também via o mesmo campeonato ruir diante de seus olhos, com uma suspensão judicial ocasionada por inúmeros problemas, que só evidenciam a precariedade da situação dos times ditos "pequenos". Quebrando o gelo, me escalou para o desabafo, onde enfatizou ter seguido a razão ao decidir pela desistência. E pelo jeito, desistiu de um campeonato, mas não do grande amor pelo time, que aparentou não ter acabado, nem com tanta crítica e bullyng. 
Como repórter, acredito que apenas o tempo dirá quem estava com a razão... 
PS: Uma das coisas mais engraçadas do caso Peixoto, foi o Twitter criado por um grupo anônimo, o @sigaPeixoto. É de morrer de rir algumas supostas "declarações" do fake. Ao saber do trote, Peixoto também riu bastante, e disse não se importar com o personagem.   

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