segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa

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Todo o trabalho de Fernando Pessoa é belíssimo, mas se há uma parte que me encanta são os seus poemas místicos, baseados nos estudos Rosacruzes que ele realizou durante parte de sua existência na Terra. Neste dia em que se comemora seu 123o. aniversário, deixo aqui meu poema preferido:
A Rosa e a Cruz

Porque choras de que existe
A terra e o que a terra tem?
Tudo nosso – mal ou bem –
É fictício e só persiste
Porque a alma aqui é ninguém

Não chores!
Tudo é o nada
Onde os astros luzes são.
Tudo é lei e confusão.
Toma este mundo por strada
E vai como os santos vão.

Levantado de onde lavra
O inferno em que somos réus
Sob o silêncio dos céus,
Encontrarás a Palavra,
O Nome interno de Deus.

E, além da dupla unidade
Do que em dois sexos mistura
A ventura e a desventura,
O sonho e a realidade,
Serás quem já não procura.

Porque, limpo do Universo,
Em Christo nosso Senhor,
Por sua verdade e amor,
Reunirás o disperso
E a Cruz abrirá em Flor.

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