quarta-feira, 7 de julho de 2010

Isa Bananão - Uma reflexão profunda

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Assim como boa parte do mundo, estava eu "twittando" na tarde do fatídico dia 04 quando Isabella, a "Isa Bananão" foi lançada ao estrelato instantâneo das pérolas da web. O suposto depoimento no Orkut aceitado por má fé ou via acidental, que foi devidamente "printado" e distribuído por comunidades, blogs, twitters e entre amigos por e-mail e MSN escarava uma suposta confidência, que esconde em si preconceitos velados, comportamentos escusos, e intimidades escancaradas. O "privado" se torna "notícia" na Internet.
Notícia chula e escanrada de deboche, Isa teve a intimidade devassada, cantada em verso e prosa por pessoas de todo o mundo. Foi banalizada, printada, teve imagem montada, ganhou fakes, seguidores e falsos amigos que tentavam a todo custo se aparecer em seu perfil, tudo em segundos. Uma bomba preocupante para a família, amigos, todo um universo de pessoas relacionadas, vizinhos, colegas de escola, etc.
No meio da avalanche de fatos, o suposto paquera que teria despertado a curiosidade sexual da jovem tentava se explicar de forma simpática, e teve solidariedade mais sincera e menos exagerada na maioria dos depoimentos trocados em MSN, Orkut e Twitter. "Brunão" no máximo foi acusado de "perder para a banana", mas também foi elogiado e paquerado pela conduta. Para Isa, apenas as "bordoadas".
Inútil seria disertar sobre o início da curiosidade sexual, a experimentação masturbatória, a confidência exagerada entre amigas e a falta de comunicação entre as famílias, devido ao fato, de que quem vive sabe como funciona o seu microcosmo social, e se adapta de acordo com a aceitação de seu grupo. Pais muito fechados tem dificuldades em conversar de sexo com os filhos, que encontram nos amigos e na mídia vasto campo de pesquisa, além do empirismo utilizado pela infeliz protagonista do caso. Porém, enfático apontar a grandiosidade do fenômeno Internet, que tudo cresce, divulga, propaga, aumenta. Ironia do destino "escolher" alguns desatentos para ter sua vida devassada devido a imprudência do uso deste meio.
Irônico também foi o fato de eu estar naquela tarde justamente tentando "plantar um viral" para divulgar um clip de um artista de rua da cidade, que homenageou o Brasil na Copa com uma música de incentivo, porém que de tão pé frio, foi apontado como uma das causas da derrota do Brasil. Tive cinco mensagens de retorno. Isa, "sem querer", teve muito mais de 100.000 até seu perfil ser deletado. O seja: o "descuido", a invasão de privacidade, é cada vez mais valorizada, ainda mais se o protagonista passa um vexame real, pior ainda se de natureza sexual. Difícil andar na rua depois de "cair na internet"; os ataques da má fama, do lado negro da fama, são imperdoáveis para os "sorteados" ... os escolhidos pela imprudência. Afinal, mesmo se foi um hacker o autor do "ataque", foi uma imprudência...
Hacker ou não, todos tem o direito de criarem a "versão oficial" para se defender de alguma acusação. O difícil é o mundo acreditar: a primeira versão é mais escancarada e sensacionalista, logo, é a preferida. O consolo, é que rapidamente serão esquecidas, a original e a oficial. Serão substituídas pela vida real, pelos políticos, pelo ganhador da Copa, pelas contas a pagar. A vida segue para todos, até para a Isa e sua família, que tenho certeza que em segundos, ganharão novas alegrias e preocupações. Fica a lição no ar, para todos: Para tudo existe um tempo certo. Para o despertar sexual, conversas com os amigos, com os pais, para as responsabilidades da vida. Existe um tempo até para as celebridades instantâneas. Para esquecerem tudo, esquecerem deste texto. Para os esquecidos serem lembrados, como o cantor popular da minha cidade, que não alcançou a fama. Não, não vou divulgar nem links para falar com a Isa, nem do clip do cantor meu amigo... Não estou a fim de "virais" hoje... (e acho que nem a Isa!!)

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